terça-feira, 11 de agosto de 2009

Pecados de Ninguem

-Não, não me agradeça, não faço isso por mérito ou pelas glórias, sou apenas um pecador tentando expiar meus pecados num mundo doente.
-Que pecado? inumeros, sem nome, fui um ser que desceu os mais profundos fossos de maldade e pervesão e agora tento desesperadamente escalar de volta.
-Poético, engraçado, eu sempre achei que apenas o que é bonito é poético, mas creio que também o seja o trágico.
-V0cê quer mesmo saber dos meus pecados? Muito bem vou contar-lhe, não estranharei se depois de ouvi-las você resolva sair correndo daqui e chamar a guardar, também não vou resistir se eles vierem, mas as leis dos homens não me condenam de fato, tudo que fiz estava dentro da lei, e era essa falsa ética que me embriagava. Mas enfim, para você entender a extensão dos meus crimes, vou começar minha história pelos meus primeiros anos.
-Eu nasci numa comunidade nômade, no meio do deserto de Arashnash , é um grande deserto, que fica a muitas milhas daqui, não sei como vocês o chamam.
-Ah, é um bom nome para lá.
-Enfim, minha família liderava essa comunidade, eramos respeitadas por todos, meu pai era um grande guerreiro e minha mãe era uma sacerdotiza de Shakti, a deusa da água, nós viviamos em paz indo de oasis a outros, vivendo de caça e comércio que faziamos com alguns mercadores, foi uma época feliz, em que eu era apenas mais uma criança, brincando com meus dois melhores amigos Krishar, dois anos mais novo que eu e aprendiz de sacerdote, e Van, uma camponesa da minha idade. Mas já naquela época eu demostrava minha má-índole, eu constantemente tortura animais, mesmo que Krishar e Van não falasse comigo enquanto eu o fazia, e minha mãe falar constantemente sobre a importância dos seres vivos.
-Eu fui crescendo, fazia exercícios todos os dias, queria ser forte, mais forte que meu pai, ele era a única pessoa que eu respeitava, mas conforme fui crescendo, esse respeito foi desaparecendo, eu via na época, ele deixar passar mercadores cheios de riquezas ao nosso lado, deixava até eles usarem nossos oásis de graça, na época eu achava isso muito errado, pensava que deviamos matá-los e pegar suas riquezas ou ao menos cobrar bem caro para que eles usassem nossa água, eu não percebia a sabedoria que havia por trás disso, e paguei por isso anos mais tarde, mas ah, se meu único pecado tivesse sido a ignorância!
-Quando eu tinha 14 anos eu vi um mercador se aproximando, como eu estava longe da aldeia resolvi que parecia uma boa idéia e me esguerei em sua direção, quando ele passou saltei do meu esconderijo... e recebi um estocada no peito, mas aparentemente esse viajante tinha mais consciência do que eu, e talvez pelo fato de eu ser um jovem, ele me levou até a minha vila, você acha que eu fiquei agradecido, ha! hoje eu sou, mas naquela época eu briguei com meu pai por ele não ter matado a viajante e gritando que aquela vida não tinha futuro para mim, resolvi sair da vila, fui a minha cabana e comecei a arrumar minhas coisas para a partida, Krishar e Van foram até lá e tentaram argumentar para que eu ficasse, porém eu estava decidido e Krishar resolveu aceitar, porém Van ficou e implorou para que eu ficasse, chegando a declarar que me amava e me oferecer o corpo...Aceitei seu corpo...e parti de madrugad, deixando-a sem honra.
-Eu já esperava essa cara, sim o que fiz foi terrível, mas só o primeiro de uma série de pecados.
-Vaguei por algumas semanas no deserto até que acabou toda minha água e comida e eu não consegui encontrar mais.
Acabei desmaiando, fui encontrado por um bando mercenário, um deles, Heker, resolveu me salvar, descobri algum tempo depois que era por que eu parecia com o irmão morto dele, quando acordei, o lider do grupo Xemi, perguntou se eu gostaria de entrar para o grupo, me explicou o que eles eram, fiquei maravilhado.
-Era tudo que eu sempre quisera: combater e ser recompesado por isso! No bando havia muitos jovens de idade semelhante a minha, como eu sou forte, logo fui aceito entre eles. Nosso grupo era empregado por um exército para fazer missões de baixo calão: Cortar linhas de suprimentos, saquear mercadores de grupos rivais, destruir vilas que não pagavam os impostos, etc. Naquela época eu tinha uma predileção por atacar vítimas de surpresa, e eu não gosto nem de lembrar da quantidade de gente que eu matei, ou prejudiquei intencionalmente, acho que existem poucos crimes que não cometi.
-Como fiquei vivo? bem eu luto um pouco, não sou um guerreiro profissional mas não sou um amador, e nossos alvos eram sempre indefensas. Bema, após dois anos fomos oficialmente admitidos no exército, eramos o infame Batalhão dos Coites, ah, vejo que reconheceu o nome não? pois é, nós causamos muito medo as populações, coisa de que me arrependo muito, sabe o cheiro de sangue nunca sai de você, mas hoje eu o derramo pelas razões certas...Naquela época eu matava lentamente minhas vítimas, adorava vê-las sofrer, isso eu falo para que você entenda a gravidade dos meus erros, hoje em dia eu não suporto ver uma cara de dor, me faz lembrar coisas que...( estremece ).
-Continuando, um dia o reino resolveu se expandir na direção do deserto, é creio que você já sabe o que eu vou dizer, fomos destruindo vilas e acampamentos como sempre fizemos, era um pouco mais difícil pois os acampamentos eram guardados, mas atacavamos como um bando de coiotes famintos e destruiam tudo.
Um dia encontramos o acampamento de meus pais, reconheci-o e fui falar com o comandante, disse que conhecia as pessoas da aldéia, que já tinha morado lá.
Ele perguntou se eu tinha como voltar lá e matar os guardas, disse que não, já que eu era considerado criminoso, além disso, não era necessário só havia um guerreiro protegendo a vila, meu pai, um velho idiota, sim, foram com essas palavras que usei.
Resolvemos atacar a noite, e partimos para cima com a selvageria habitual, porém um surpresa nos aguardava havia uma pequena força de defessa nos esperando, no instante que os vi reconheci alguns homens que meu pai ajudara anos atrás...Bem, a ordem era "matem todos" então enquanto os outros cuidava dos guerreiros, eu e meu grupinho fomos atrás dos moradores do acampamento, não tive nenhum remorso em matar gente que eu conhecia toda a vida, até que em uma cabana protegendo as crianças um jovem de armadura com um machado, assim que um dos meus colegas entrou, teve peito destruido o outro teve um fim rápido parecido, fui enfrentando, nosso duelo durou uns dois minutos, quando então ele me derrubou com um bom golpe, quando estava no chão ele levantou o machado e disse;
-Que vilão, saiba que foi morto por Krishan, servo de Dakhar, nessa hora uma garota apareceu gritando, era Van, ela mostrou que era eu e ele baixou o machado, nesse momento me levantei e cortei a cabeça dele.
Van olhou para mim seus olhos de medo e dúvida, mas as ordens diziam para matar todos...exato, matei o meu melhor amigo e a garota que me amou a ponto de me ofercer sua vida logo depois de ela me salvar, porém, para meu batalhão era tarde, meu pai acabara de matar o capitão de nossa divisão, e nesse momento ele olhou para mim, nesse momento desejei intensamente que ele me xingasse, me batesse, me matasse, qualquer coisa, mas que parasse de olhar para mim daquele jeito, aquele olhar de nojo, desprezo, me fizeram ver a imensidão dos meus erros.
Eu passei dois dias depois disso sendo atacado por meus próprios demonios, depois de finalmente me arrender tomei uma decisão, eu pagaria todos os meus pecados, iria proteger todos os que não o pudessem fazer sozinhos com a minha vida, mas mataria apenas quando necessario, acima de tudo, nunca mataria criaturas indefesas, e por isso antes de qualquer luta eu anuncio o porque de eu estar atacando, ofereço uma chance de redenção, para só então , caso isso não der certo, derrubalo, só mato caso a criatura não aprenda com seus erros.
-É eu sei que é uma mudança meio súbita, mas acredite em cada palavra que digo, é tudo verdade.
-Meu nome, eu o abandonei lembra? Não o clamarei de volta até ser digno novamente dele, por enquanto eu não sou nada. Ninguém.

Ninguém ( Scout 6 Ranger 2 Desvixe 4 )


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